A obtenção de amostras de solo em áreas contaminadas peca pela dificuldade em se obter amostras representativas da situação local de contaminação, sem um enorme número de amostras. Por essa razão, a CETESB vem exigindo que em avaliações de áreas contaminadas a amostragem de solo siga o método de Amostragem de Solo com multi incrementos ou ISM em inglês. É uma metodologia, desenvolvida nos EUA pelo ITRC (Interstate Technology Regulatory Council) uma organização não governamental formada por empresas, universidades e agências governamentais.

Esta metodologia possui uma lógica que leva a amostras de solo mais representativas, mas é complexa e exige que se tenha um bom modelo conceitual da contaminação da área.

A AMBCONSULT em parceria com a empresa SANIFOX do Brasil aplicou esta metodologia em dezembro/15 em um caso real. O local é uma área onde havia estocagem de resíduos domésticos sobre o solo.

O fundamental da metodologia é definir a chamada Unidade de Decisão, que é a região de interesse do estudo, seja onde o modelo conceitual indica a possibilidade de haver contaminação, ou ao contrário onde não se espera contaminação. É a etapa mais crítica do processo pois sem sua delineação adequada , a amostragem não será representativa.

Como se tratava de uma área de deposição recente de resíduos sobre o solo foi possível através de imagens de Google Earth se delinear onde houve resíduo pois o objetivo era verificar se essa prática havia contaminado o solo. A figura abaixo mostra a delimitação da área com resíduos sobre o solo sem pavimento.

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Como o piso de concreto é em nível superior, o lixiviado gerado escoa no sentido da área sem pavimento, como o objetivo era avaliar o solo na área com maior possibilidade de contaminação, a UD definida foi a área dentro da linha branca. Na área de solo exposto o lixiviado se infiltra, fazendo com que o solo logo abaixo da superfície fosse aquele com maior probabilidade de contaminação, desta forma a profundidade de UD foi definida como sendo aquela a no máximo 10 cm de profundidade. A seguir a área foi dividida em quadrículas iguais, em cada uma destas deve ser obtida uma amostra de solo que será adicionada as das demais quadrículas.  Esta malha é mostrada abaixo. 

mapa

 

Para definir o ponto exato da retirada da amostra foi utilizada a metodologia

Amostragem com Distribuição Sistemática, onde se sorteia a localização do primeiro local e os demais são locados seguindo as dimensões da malha, de forma a estarem no mesmo ponto de cada grid. Na sequência os pontos foram locados com estacas em campo.coleta1

 

Ao final se tem a rede de pontos onde serão retiradas as amostras.

As amostras para determinação de compostos orgânicos semi voláteis e metais foram coletadas com espátula de pedreiro em aço inox em volumes iguais e colocadas em uma bandeja. Como mostrado abaixo.

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Para amostras onde se fará a determinação de compostos orgânicos voláteis, não se pode fazer a mesma manipulação pois haveria perda por evaporação. Para isto as amostras são  nos mesmos pontos daquelas para SVOC, mas obtidas com um amostrador especial que retira do solo um volume definido . A amostra é colocada em um frasco com metanol. Este frasco será enviado para o laboratório analisar ( no caso for o Anatech). O processo é mostrado abaixo.

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Todas as amostras multiincrementos para SVOC e metais são colocadas na bandeja. Esta amostra é peneirada em uma peneira com malha menor que 0,2 mm.coleta-08

O volume peneirado é muito superior ao volume requerido pelo laboratório, então é feita uma reamostragem. A bandeja foi subdividida em uma malha semelhante à malha original, onde são retiradas alíquotas com uma pequena espátula, seguindo a metodologia até que o volume requerido pelo laboratório seja atingido.Texto alternativo gerado por máquina:

Entre cada Unidade de Decisão o equipamento deve ser desconta minado.

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 As amostras são etiquetadas, a Ficha de Custódia preenchida, as amostras são resfriadas e enviadas ao laboratório para análise. Os resultados neste caso indicaram que a área não estava contaminada.

Concluindo a metodologia por partir da definição de um modelo conceitual sobre a distribuição da contaminação leva a um resultado mais representativo, embora trabalhoso. O resultado sempre será a média da Unidade de Decisão, mas se saberá o que esta média representa em termos de distribuição da contaminação naquele volume de solo. Por esta razão o cerne do método é exatamente a definição da localização da UD e de suas dimensões, altura, largura e profundidade.