Em 26/04 aconteceu no COSEMA 0 Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP a instigante palestra do Jornalista João Lara Mesquita, sobre Danos Ambientais e Oceano. João Lara foi diretor da Rádio Eldorado, conselheiro do Greenpeace, autor de vários livros entre eles O Mar sem Fim indicado para o prêmio Jabuti, atualmente produzindo documentários sobre o ambiente marinho, é um profundo conhecedor do mar, com mais de 60000 milhas náuticas navegadas.

Mostrou como o mar é importante, por exemplo 1/4 da proteína animal consumida por nós vem do mar e por outro lado a Revista Science estima que em 2048 os recursos da pesca estarão esgotados, em 1950 se pescava 19 milhões de toneladas, em 2013 foram retirados do mar 96 milhões. No Brasil, nossas águas têm poucos nutrientes, assim a pesca não é abundante, em 1980 pescamos 900000 t (de lá para cá, depois da criaçDANOS-AMBIENTAIS-OCEANOS-01ão do Ministério da Pesca não se sabe mais quanto pescamos, coisas de Brasil). Há um movimento mundial para aumentar as áreas preservadas, pelas Metas de Aichi até 2020 10% das áreas marinhas e costeiras deveriam ser preservadas, mas no Brasil ainda estamos muito longe disso, somente 1,5% da área costeira tem algum tipo de proteção legal. Temos 59 Unidades de Conservação Marinha, o João fez um documentário resultado da visita que fez a todos. O que viu foi muito ruim. Dessas 33, ou seja, a maioria não tem Plano de Manejo, não se tendo as diretrizes para conservação. Além de uma falta absoluta de pessoal e equipamentos para uma gestão adequada. Destas 59 somente 9 tem gestão e mesmo assim mais pela paixão dos administradores do que por qualquer outra coisa. Na APA da Baleia Branca em Santa Catarina (Foto) havia toda uma atividade econômica voltada à avistagem de baleias, mas por falta de Plano de Manejo foi suspensa pelo Ministério Público.

Sobre a visitação de parques nacionais mostrou dados muito interessantes, por exemplo o Parque Nacional de Jericoacoara tem 700.000 visitantes por ano e não se cobra entrada, nãDANOS-AMBIENTAIS-OCEANOS-02o se tem infraestrutura nenhuma e por consequência sua conservação é precária. Por outro lado, mostrou o Parque Nacional de Fernando de Noronha onde a administração é feita através de um contrato de Parceria Público Privada onde de fato há ações de conservação, embora haja uma grande visitação, A foto abaixo mostra o ponto de controle de acesso a uma das praias. Esta é uma forma que pode melhorar muito a gestão, mas o Estado deverá fazer bons projetos para isso. Já há estudos no ICMBio para implantar mais PPPs em outros Parques Nacionais.

 

DANOS-AMBIENTAIS-OCEANOS-03No exterior essa atuação parceira de Estado e iniciativa privada tem trazido benefícios a todos, ao meio ambiente que é preservado de uma forma muito melhor, ao usuário que recebe um melhor serviço e ao Estado que melhora a gestão de um bem público de uma forma muito mais econômica e ainda mantém as diretrizes para a conservação do local. O Estado de Queensland na Austrália fatura U$5 bilhões/ano com as visitas a Grande Barreira de Corais. Outra questão levantada pelo João foi a ocupação destrutiva da zona litorânea, onde se perde valor por se pensar só no curto prazo e no lucro do investidor. Mostrou casos como o de praia no Ceará onde um hotel ocupou a zona de falésia para fazer um lago para os turistas.DANOS-AMBIENTAIS-OCEANOS-04

Ou ainda a ocupação das dunas no Rio Grande do Sul na praia de Hermenegildo.

 

Da palestra vê-se que com vontade política, pensamento voltado a todos se poderia ocupar e preservar a nossa área costeira e marítima de uma forma mais inteligente, que a longo prazo seria bom para todos, propiciando novos negócios como por exemplo PPP para gestão de parques.